Úúúúúiiiiiiiii!!!!
Tome um Vallium antes de ler...
2008/09/28
O país estremece de expectativa
É já para breve! Revelações bombásticas neste blog. Não perca! Mantenha-se atento.
2008/09/15
O Raia vai fazer revelações sensacionais
Temos estado para aqui na expectativa, hesitando sobre se devemos ou não revelar o que descobrimos, mas agora é que é! Tem que ser!! Em breve (muito em breve!) vamos aqui fazer revelações sensacionais. Estejam, portanto, atentos porque o que vamos revelar é escaldante mesmo. Preparem-se!
Aliás andamos todos já em cuecas aqui na redacção do Raia, a atirar gelo uns aos outros e a abanarmo-nos uns aos outros com leques gigantes porque o ambiente que aqui se vive é escaldante mesmo! E a temperatura, prometo-vos, está a subir...
Até muito breve...
Aliás andamos todos já em cuecas aqui na redacção do Raia, a atirar gelo uns aos outros e a abanarmo-nos uns aos outros com leques gigantes porque o ambiente que aqui se vive é escaldante mesmo! E a temperatura, prometo-vos, está a subir...
Até muito breve...
2008/03/25
Sermões do padre António Vidigueira - Sermão de São Bartolomeu de Messines ao peixe-vómito
Mas, que não era cousa bonita de se ver, ah! lá isso não era. Que eu aguento, que sou santo e sou de Messines, ah lá isso aguento. Mas, que não era cousa bonita de se ver, ah lá isso não era!
E por aqui seguiríamos e, quiçá, ficaríamos, não fora dar-se o caso de nos mares por onde nadas, tu ó peixe-vómito, as águas serem basto enjoativas. E aqui se começa a descortinar a origem do teu vómito. Pois que no grau de enjoabilidade das águas se situa a explicação do fenómeno. Por onde nadas. Nadas porque és peixe. És peixe porque nadas. Nada mais claro. Nada mais piscícola. Nada mais.
Engoles o próprio cerne do que a vomitar te leva.
Se algo há a tirar deste sermão --uma moral, se quiserdes-- é que por águas enjoativas se descobre o peixe. Pela boca sai o vómito. Pela boca morre o peixe. Pelo vómito morre o peixe. Na origem está o vómito, mas pelo vómito morre o peixe que, por sua vez, nada no próprio vómito que vai nascer, pois que ainda não o é. O é!
A menos que venha em nosso auxílio um qualquer anti-emético! Pela boca sai o vómito, mas pela boca pode escorregar um anti-emético e assim prevenir e suster o vómito.
Sabeide então: se estiverdes todos à beira de vos borrardes de forma vil de vómito, langonhoso e nojento, emanando dele pestilências mil, tomaide, ó sim, tomaide!, um anti-emético. E assim não ireides fazer a figurinha triste do peixinho da foto que acompanha este lindo sermão. Ó não!
A recomendação deste medicamento não dispensa a consulta ao vosso médico assistente. Ide agora, ide! E que a vossa seja uma boa tarde.
2008/02/21
Quadr(ilh)a (ainda à) solta
Soam apitos dourados
a 14 de Fevereiro.
É o Dia dos Namorados
de São Valentim Loureiro.
a 14 de Fevereiro.
É o Dia dos Namorados
de São Valentim Loureiro.
2008/02/16
Sermões do padre António Vidigueira - Sermão de Santo Bartolomeu aos lepidópteros
Atenção gentis damas e encorpados cavalheiros. Também por ordem inversa.
Naquele tempo estava o [...] do Gomes de cócoras a [...] quando veio a senhora Angela Merkel brandindo o livro da verdade. Verdade se diga que o que a senhora Angela Merkel veio brandindo não era, repito, não era [....] o livro da verdade. O que é a verdade?, perguntareis vós, com um ar entre o incrédulo e o pós-moderno. Ninguém sabe. Ninguém afinal quer saber. Toda a gente se está cagando para a verdade. Serão por isso advogados da mentira? Não sei. Ninguém sabe.
Mas, falava eu da senhora Angela Merkel [...]. Tudo o resto não interessa. Concentremo-nos sobre a senhora Angela Merkel . Estava ela prostrada nesse seu doce enlear, quando apareceu o senhor Merkel (por trás para cumprir aquela ideia de que por trás de uma grande mulher está sempre um grande homem, se elas gostarem assim...). Herr Merkel era senhor de um valente [...] brandindo, também ele, um grosso volume das obras coligidas de Vitor Santos, o tal que tem um pavão [...], que de vez em quando aparece. Volta não volta lá está ele [..., ..., ...].
Pois, falava eu da senhora e do senhor Merkel o tal que brandia, brandia até à exaustão. O tal livro. Era digno de se ver o Merkel a brandir. A brandir, a brandir!
Não sei porquê. Ninguém sabe porquê. Até ontem ninguém tinha encontrado resposta. Por favor continuem sintonizados, porque eu assim que souber mais alguma coisa digo.
Naquele tempo estava o [...] do Gomes de cócoras a [...] quando veio a senhora Angela Merkel brandindo o livro da verdade. Verdade se diga que o que a senhora Angela Merkel veio brandindo não era, repito, não era [....] o livro da verdade. O que é a verdade?, perguntareis vós, com um ar entre o incrédulo e o pós-moderno. Ninguém sabe. Ninguém afinal quer saber. Toda a gente se está cagando para a verdade. Serão por isso advogados da mentira? Não sei. Ninguém sabe.
Mas, falava eu da senhora Angela Merkel [...]. Tudo o resto não interessa. Concentremo-nos sobre a senhora Angela Merkel . Estava ela prostrada nesse seu doce enlear, quando apareceu o senhor Merkel (por trás para cumprir aquela ideia de que por trás de uma grande mulher está sempre um grande homem, se elas gostarem assim...). Herr Merkel era senhor de um valente [...] brandindo, também ele, um grosso volume das obras coligidas de Vitor Santos, o tal que tem um pavão [...], que de vez em quando aparece. Volta não volta lá está ele [..., ..., ...].
Pois, falava eu da senhora e do senhor Merkel o tal que brandia, brandia até à exaustão. O tal livro. Era digno de se ver o Merkel a brandir. A brandir, a brandir!
Não sei porquê. Ninguém sabe porquê. Até ontem ninguém tinha encontrado resposta. Por favor continuem sintonizados, porque eu assim que souber mais alguma coisa digo.
2008/02/07
Sermões do Padre António Vidigueira - Sermão de Santo António aos coentros
Inauguramos hoje uma nova rubrica de autoria do nosso colaborador o Padre António Vidigueira. São os seus sermões, alguns dos quais o tornaram famoso nas colónias do ultramar. Esta rubrica vai a par das Fábulas de La Gardère que temos vindo aqui a reproduzir em rigoroso exclusivo.
Aproveitamos assim também para nos associarmos à comemoração do bi-cinquentenário (50x50=100) do nascimento do Padre António Vidigueira e nos integrarmos nesta comemoração nacional que tanto excita os corações portugueses.
Sermão de Santo António aos coentros
Estava D. Leonor posta em seu recato. Mas isso não tem nada a ver com este sermão. Os recatos de D. Leonor já a gente os conhece, infelizmente. E já sabemos que é de recatos que são feitos os espíritos mais depravados de que, hélas!, temos conhecimento.
Adiante, pois.
Os coentros, esses hábeis companheiros de uma boa açorda, estavam em maré de azar. A sopa azedara. A carne apodrecera. O doce talhara. Os coentros agitavam-se e denotavam mesmo um ligeiro incómodo na perspectiva de uma refeição totalmente falhada. Abanavam seus delicados caules e a folhita raiava a amerelidão. "-Não!", gritou convicto o coentro chefe. "-Não que se não me desse, ó não!, passar desta vez sem perfumar a açorda e acompanhar o paladar da carnita porcóide. Mas, participar num embuste culinário, colaborar na mediocridade degustativa, cumprir um destino falhado, isso não! Coentro que se preze não pactua com a mediocridade."
Disse e contemplou o doce homem, coberto de escassa e andrajosa serapilheira, que o olhava atónito, ali a prudente distância.
Onde é que já se tinha visto um coentro a falar..!
Dirigiu-se-lhe cauteloso, não fosse o coentro perder o fio do raciocínio, e disse-lhe:
(e é aqui que começa o sermão propriamente dito...)
"-Ó nobre coentro, tu que cobres de perfumado aroma estas paragens, repara como nem todas a ervinhas que no monte crécem (sic!) tão agradável aroma soltam. Repara nas criaturas pútridas e fétidas que soltam cacas e merdas, por vezes purulentas devidas às febres e sezões que as apoquentam e transformam esta atmosfera de exaltação olfativa num pasto de fétidas inalações. Repara nessas outras criaturas que se revelam inúteis ou mesmo perniciosas ao ambiente que as rodeia, não acrecentando (sic!) nada à cadeia das cousas vivas e naturais. E, no entanto, tu, tu!, revelas, na tua singeleza e enorme luminosidade, um enorme poder: dás perfume à açorda!"
Disse isto (enquanto o coentro pensava "Luminosidade, eu?!..."). E, conforme o fazia, assim soltava grande soma de impropérios irrepetíveis, surpreendentes e ignotos. Era um comportamento surpreendente e inclassificável. O coentro apreensivo com esta atitude de duvidosa génese do doce homem falou-lhe:
"- Ó doce homem, tu que sabiamente te pronuncias sobre a minha condição, fugazmente e em delírio, escuta agora o que tenho para te dizer." E segredou-lhe ao ouvido algo que o cronista não conseguiu captar.
Paciência, fica para a próxima.
Aproveitamos assim também para nos associarmos à comemoração do bi-cinquentenário (50x50=100) do nascimento do Padre António Vidigueira e nos integrarmos nesta comemoração nacional que tanto excita os corações portugueses.
Sermão de Santo António aos coentros
Estava D. Leonor posta em seu recato. Mas isso não tem nada a ver com este sermão. Os recatos de D. Leonor já a gente os conhece, infelizmente. E já sabemos que é de recatos que são feitos os espíritos mais depravados de que, hélas!, temos conhecimento.
Adiante, pois.
Os coentros, esses hábeis companheiros de uma boa açorda, estavam em maré de azar. A sopa azedara. A carne apodrecera. O doce talhara. Os coentros agitavam-se e denotavam mesmo um ligeiro incómodo na perspectiva de uma refeição totalmente falhada. Abanavam seus delicados caules e a folhita raiava a amerelidão. "-Não!", gritou convicto o coentro chefe. "-Não que se não me desse, ó não!, passar desta vez sem perfumar a açorda e acompanhar o paladar da carnita porcóide. Mas, participar num embuste culinário, colaborar na mediocridade degustativa, cumprir um destino falhado, isso não! Coentro que se preze não pactua com a mediocridade."
Disse e contemplou o doce homem, coberto de escassa e andrajosa serapilheira, que o olhava atónito, ali a prudente distância.
Onde é que já se tinha visto um coentro a falar..!
Dirigiu-se-lhe cauteloso, não fosse o coentro perder o fio do raciocínio, e disse-lhe:
(e é aqui que começa o sermão propriamente dito...)
"-Ó nobre coentro, tu que cobres de perfumado aroma estas paragens, repara como nem todas a ervinhas que no monte crécem (sic!) tão agradável aroma soltam. Repara nas criaturas pútridas e fétidas que soltam cacas e merdas, por vezes purulentas devidas às febres e sezões que as apoquentam e transformam esta atmosfera de exaltação olfativa num pasto de fétidas inalações. Repara nessas outras criaturas que se revelam inúteis ou mesmo perniciosas ao ambiente que as rodeia, não acrecentando (sic!) nada à cadeia das cousas vivas e naturais. E, no entanto, tu, tu!, revelas, na tua singeleza e enorme luminosidade, um enorme poder: dás perfume à açorda!"
Disse isto (enquanto o coentro pensava "Luminosidade, eu?!..."). E, conforme o fazia, assim soltava grande soma de impropérios irrepetíveis, surpreendentes e ignotos. Era um comportamento surpreendente e inclassificável. O coentro apreensivo com esta atitude de duvidosa génese do doce homem falou-lhe:
"- Ó doce homem, tu que sabiamente te pronuncias sobre a minha condição, fugazmente e em delírio, escuta agora o que tenho para te dizer." E segredou-lhe ao ouvido algo que o cronista não conseguiu captar.
Paciência, fica para a próxima.
2008/02/04
As Fábulas de La Gardère - A Corça e o Pé de Feijão
Feijão branco ou carrapato? A corça interrogava-se enquanto rodava em torno do impressionante pé que se erguia à sua frente. Desconfiada, tentou observar os feijões. O gigante lá de cima dizia com os seus botões "-Anda cá, anda!"
Uma brisa marítima soprava, envolvendo melacolicamente todas as criaturas vivas daquela paisagem. A corça, sentindo melancólicas, resolveu ir à farmácia comprar um remédio que a tirasse daqueles padecimentos.
Alguns instantes depois de ter chegado à farmácia e ter retirado a respectiva senha de atendimento, o número da corça foi chamado. "-49!" gritou o boticário, "-O que deseja?"
"- Estou com melancólicas, o que me aconselha?"
"- Estou mesmo a ver que andou ao pé do pé de feijão!" exclamou o boticário... "- O que você precisa é de se afastar do pé do pé! As melancólicas passarão logo! Óssepassarão!"
Nisso um passarão que passava livre e distraído nas imediações da farmácia, julgando que o boticário o chamava (ó sôr passarão!!) , faz uma manobra de aproximação. Com tanto azar que fica preso nos postes de muito alta tensão. Ficou muito magoado. A tensão, que já era muito alta, aumenta! Os alarmes soam! A tensão tornou-se insuportável. O passarão suicidou-se. À corça voltaram-lhe as melancólicas. Até o boticário nunca mais foi o mesmo. Ainda hoje nada se sabe sobre o paradeiro do gigante do pé de feijão. E eu próprio já não me estou a sentir lá muito bem...
Moral da história: na jazida do minério é onde se desenvolve o mistério... Ah pois é!
Uma brisa marítima soprava, envolvendo melacolicamente todas as criaturas vivas daquela paisagem. A corça, sentindo melancólicas, resolveu ir à farmácia comprar um remédio que a tirasse daqueles padecimentos.
Alguns instantes depois de ter chegado à farmácia e ter retirado a respectiva senha de atendimento, o número da corça foi chamado. "-49!" gritou o boticário, "-O que deseja?"
"- Estou com melancólicas, o que me aconselha?"
"- Estou mesmo a ver que andou ao pé do pé de feijão!" exclamou o boticário... "- O que você precisa é de se afastar do pé do pé! As melancólicas passarão logo! Óssepassarão!"
Nisso um passarão que passava livre e distraído nas imediações da farmácia, julgando que o boticário o chamava (ó sôr passarão!!) , faz uma manobra de aproximação. Com tanto azar que fica preso nos postes de muito alta tensão. Ficou muito magoado. A tensão, que já era muito alta, aumenta! Os alarmes soam! A tensão tornou-se insuportável. O passarão suicidou-se. À corça voltaram-lhe as melancólicas. Até o boticário nunca mais foi o mesmo. Ainda hoje nada se sabe sobre o paradeiro do gigante do pé de feijão. E eu próprio já não me estou a sentir lá muito bem...
Moral da história: na jazida do minério é onde se desenvolve o mistério... Ah pois é!
2008/02/02
NEWS FLASH - Novo aeroporto de Lisboa já não vai ser construído
Uma notícia de última hora dá conta que o novo aeroporto não irá afinal ser construído. Ou melhor, vai mas não em Lisboa. Ou, melhor ainda, já nem sequer é em Macau como se disse anteriormente. Sabe-se que o campo de tiro de Alcochete irá ser reconvertido numa plantação de milho transgénico, a Ota vai passar a ser um bairro social de Lisboa e a Portela vai ser tranformada numa vinha para produção do famoso Moscatel da Gago Coutinho, para competir com o de Setúbal.
Quem quiser andar de avião vai ter de o ir apanhar ao Porto. É a alternativa Porto+1 (Novo aeroporto de Lisboa mais Pedras Rubras). O novo aeroporto de Lisboa vai afinal ser no Porto. Isso mesmo parece ter sido decidido pelo Conselho de Ministros, após a divulgação do relatório de um estudo secreto promovido pela AIP, com apoio anónimo, mas que o Raia está em condições de assegurar que agrupa um conjunto de personalidades tão diversas como, entre muitas outras, Carolina Salgado, Rui Rio, Pedro Abrunhosa e aquele fulano que aparece em todas as manifestações do Boavista, vestido com um chapéuzinho de côco, lacinho e camisa aos quadrados brancos e pretos (na realidade um riquíssimo industrial do Norte!). O PS temendo a aparente perda de votos a norte --que se desenha com a política de saúde-- entendeu definir agora este rumo estratégico.
Aguarda-se o rumo estratégico a Sul. Parece que a sul Miguel Sousa Tavares, esse grande alentejano, domina as movimentações em curso. Teme-se que um segundo aeroporto de Lisboa venha a ter de ser construído em plena costa vicentina por pressão do movimento miguelista.
O rumo ao centro resultará do trabalho de uma troika que inclui o bastonário da Ordem dos Advogados, Vital Moreira (de quem se diz que poderá vir a exigir um aeroporto para Coimbra) e o ilusionista Luís de Matos...
Quem quiser andar de avião vai ter de o ir apanhar ao Porto. É a alternativa Porto+1 (Novo aeroporto de Lisboa mais Pedras Rubras). O novo aeroporto de Lisboa vai afinal ser no Porto. Isso mesmo parece ter sido decidido pelo Conselho de Ministros, após a divulgação do relatório de um estudo secreto promovido pela AIP, com apoio anónimo, mas que o Raia está em condições de assegurar que agrupa um conjunto de personalidades tão diversas como, entre muitas outras, Carolina Salgado, Rui Rio, Pedro Abrunhosa e aquele fulano que aparece em todas as manifestações do Boavista, vestido com um chapéuzinho de côco, lacinho e camisa aos quadrados brancos e pretos (na realidade um riquíssimo industrial do Norte!). O PS temendo a aparente perda de votos a norte --que se desenha com a política de saúde-- entendeu definir agora este rumo estratégico.
Aguarda-se o rumo estratégico a Sul. Parece que a sul Miguel Sousa Tavares, esse grande alentejano, domina as movimentações em curso. Teme-se que um segundo aeroporto de Lisboa venha a ter de ser construído em plena costa vicentina por pressão do movimento miguelista.
O rumo ao centro resultará do trabalho de uma troika que inclui o bastonário da Ordem dos Advogados, Vital Moreira (de quem se diz que poderá vir a exigir um aeroporto para Coimbra) e o ilusionista Luís de Matos...
NEWS FLASH - Relatório secreto sugere novo figurino para as finanças portuguesas
Um relatório elaborado por um grupo de peritos em fiscalidade e finanças, que mantém o anonimato, foi hoje dado a conhecer. Uma cópia do relatório chegou à redacção do Raia dentro de uma caixa de pizza (com a pizza lá dentro!)
Diz o relatório no seu preâmbulo que "depois das denúncias do bastonário da Ordem dos Advogados sobre a corrupção no Estado vimos aqui propôr uma nova ordem fiscal para o país."
São duas as hipóteses que temos, segundo os autores deste relatório.
A primeira hipótese consiste em entregar os nossos impostos directamente a empresas privadas.
Imaginem, dizem ainda os autores do relatório, que é necessária uma estrada. Organiza-se um debate tipo "Prós e Contras" (pode ser a mesma apresentadora, é indiferente...) e avalia-se, assim pela televisão e em público, qual é a melhor proposta. Depois de se ter avaliado quem apresentou o orçamento mais favorável, a malta entrega a quantia necessária directamente à empresa que ganhou o debate.
O relatório estima que se cada um entregar assim directamente uma percentagem de acordo com o nosso rendimento, se evitariam intermediários (o Estado) e se pouparia um dinheirão, ao mesmo tempo que tudo se torna mais claro.
No recente debate sobre o novo aeroporto, por exemplo, nota o relatório, bastava que tudo aquilo fosse a sério e que se percebesse melhor quem é que eram as empresas interessadas no negócio. Mas, o modelo do debate televisivo pode muito bem ser usado porque poderia sair dali directamente o caderno de encargos da obra. A gente mandava um cheque para a empresa e pronto, começava a construção. Um dinheirão poupado e muito muito tempo a serrar presunto encurtado.
Uma outra interessante alternativa, sugerida neste importante relatório para resolver a crise da fiscalidade e acabar com esta sanha persecutória do Ministro das Finanças, era entregar as finanças do estado ao Euromilhões. A gente ia fazer as nossas apostas/impostos, havia um sorteio semanal ou diário mesmo (transmitido por uma televisão qualquer) e sorteava-se uma determinada quantia. Quem ganhasse já não podia voltar a jogar (ficava isento de jogar até ao fim da vida!) A ver se a malta não ia toda "pagar" impostos...!
O relatório, diz-se, já era do conhecimento do Ministro das Finanças antes do fim do ano, mas apesar disso continua tudo na mesma e nenhuma das medidas nele preconizadas foi afinal implementada. O ministro terá mesmo sido ouvido a comentar o seu teor em tom jocoso, o que provocou a ira de alguns contribuintes.
Diz o relatório no seu preâmbulo que "depois das denúncias do bastonário da Ordem dos Advogados sobre a corrupção no Estado vimos aqui propôr uma nova ordem fiscal para o país."
São duas as hipóteses que temos, segundo os autores deste relatório.
A primeira hipótese consiste em entregar os nossos impostos directamente a empresas privadas.
Imaginem, dizem ainda os autores do relatório, que é necessária uma estrada. Organiza-se um debate tipo "Prós e Contras" (pode ser a mesma apresentadora, é indiferente...) e avalia-se, assim pela televisão e em público, qual é a melhor proposta. Depois de se ter avaliado quem apresentou o orçamento mais favorável, a malta entrega a quantia necessária directamente à empresa que ganhou o debate.
O relatório estima que se cada um entregar assim directamente uma percentagem de acordo com o nosso rendimento, se evitariam intermediários (o Estado) e se pouparia um dinheirão, ao mesmo tempo que tudo se torna mais claro.
No recente debate sobre o novo aeroporto, por exemplo, nota o relatório, bastava que tudo aquilo fosse a sério e que se percebesse melhor quem é que eram as empresas interessadas no negócio. Mas, o modelo do debate televisivo pode muito bem ser usado porque poderia sair dali directamente o caderno de encargos da obra. A gente mandava um cheque para a empresa e pronto, começava a construção. Um dinheirão poupado e muito muito tempo a serrar presunto encurtado.
Uma outra interessante alternativa, sugerida neste importante relatório para resolver a crise da fiscalidade e acabar com esta sanha persecutória do Ministro das Finanças, era entregar as finanças do estado ao Euromilhões. A gente ia fazer as nossas apostas/impostos, havia um sorteio semanal ou diário mesmo (transmitido por uma televisão qualquer) e sorteava-se uma determinada quantia. Quem ganhasse já não podia voltar a jogar (ficava isento de jogar até ao fim da vida!) A ver se a malta não ia toda "pagar" impostos...!
O relatório, diz-se, já era do conhecimento do Ministro das Finanças antes do fim do ano, mas apesar disso continua tudo na mesma e nenhuma das medidas nele preconizadas foi afinal implementada. O ministro terá mesmo sido ouvido a comentar o seu teor em tom jocoso, o que provocou a ira de alguns contribuintes.
2008/01/17
NEWS FLASH - Novo aeroporto de Lisboa afinal não fica em Portugal
Numa sensacional reviravolta, o Governo acaba de anunciar que o novo aeroporto de Lisboa vai afinal para Macau. O ministro da Obras Púdicas justificou esta surpreendente alteração da decisão do Governo com a significativa poupança nos custos de construção. "Os chineses ofereceram-nos custos de construção significativamente mais baixos e propuseram-nos ainda a construção de borla de um casino para os passageiros que aguardam o seu voo e comprometeram-se a preservar os ninhos de andorinha localizados na zona do futuro aeroporto," informou o ministro à saida da reunião onde a decisão foi tomada.
Está entretanto planeada a construção de um shuttle entre o novo aeroporto de Lisboa e Lisboa, tendo sido mesmo lançado já o respectivo concurso internacional.
Está entretanto planeada a construção de um shuttle entre o novo aeroporto de Lisboa e Lisboa, tendo sido mesmo lançado já o respectivo concurso internacional.
NEWS FLASH - Alerta em Campolide
Uma enorme nuvem de gás gera pânico em Campolide.
Várias dezenas de idosos de Campolide causaram uma onda de pânico ontem naquela zona de Lisboa. O incidente ocorreu logo após os idosos terem soltado simultaneamente uma enorme nuvem de gás.
Fonte do LNEC informou que a probabilidade de tantos idosos soltarem gás ao mesmo tempo é diminuta, mas confirmou a origem do incidente.
Os bombeiros foram chamados de urgência e informaram posteriormente que estes idosos tiveram de evacuar. A operação de evacuação originou, por sua vez, um problema grave de esgotos. A CML já cagou no assunto.
Várias dezenas de idosos de Campolide causaram uma onda de pânico ontem naquela zona de Lisboa. O incidente ocorreu logo após os idosos terem soltado simultaneamente uma enorme nuvem de gás.
Fonte do LNEC informou que a probabilidade de tantos idosos soltarem gás ao mesmo tempo é diminuta, mas confirmou a origem do incidente.
Os bombeiros foram chamados de urgência e informaram posteriormente que estes idosos tiveram de evacuar. A operação de evacuação originou, por sua vez, um problema grave de esgotos. A CML já cagou no assunto.
2008/01/14
The Little Bird
Ever since, at the age of six, I was force-fed the full contents of a tin of Portuguese Sardines in Spicy Tomato Sauce by my dear late mother, I developed a keen interest in the people who invented the aforementioned delicacy - and actually ate it.
I have a vivid recollection of the scene, Mother and myself sitting face to face, she holding the tin with her left hand and a spoon with her right, me holding myself quite well, considering.
In between spoonfuls of the slushy red pulp (which Mother persuaded me to wash down with big gulps of lukewarm buttered milk drank off a large mug), she was telling me about the Portuguese, their conquests and discoveries, and how the sailors kept their remaining teeth immaculately clean by picking them with dried codfish fish-bones. I can still hear her lovely, kind voice ("-C'mon, dear. Eat it all, or else.").
Mother died in her sleep that same night (rumors that an oval piece of tin with ragged edges was found stuck deep in her throat are to be disregarded).
Anyway, my life was never the same again and my ever-growing interest in all things Portuguese led me to try and learn the local language. I am proud to say that my efforts paid off and I have already attained a fair level of proficiency understanding written text.
In my exploratory endeavours I came across a little poetic gem which I will attempt to translate so that you may fully appreciate the beauty of this fine example of Portuguese literary art:
Minha mãe, casai-me cedo,
Que me morde a passarinha.
Ó filha, coça-a com o dedo,
Que eu também coçava a minha.
Sounds beautiful and musical, doesn't it? But read on - the best is still to come.
Let's now analyse the poem verse by verse:
"Minha mãe, casai-me cedo," - [O mother, marry me soon]
Portuguese tradition makes it de rigeur that marriages be arranged by the parents, so here we have a girl respectfully asking her mother to marry her off soon. I find this acceptance of tradition by the Portuguese young quite endearing.
"Que me morde a passarinha."- [Because the little bird is biting me]
This is most intriguing: the girl is offering as the reason for her request the fact that a little bird is biting her! We know the bird is a little one, because of the use of the diminutive form - the suffix inha - and we also know it's a female, because the word ends with an a. But none of this helps understand how marrying soon could do anything about an aggressive bird!
Unless - but of course! - unless she is eager to get married so that her husband will protect her against the little bird!
"Ó filha, coça-a com o dedo," - [O daughter, scratch it with your finger]
Ah! The beauty of it! The mother is offering advice based, no doubt, on the wisdom afforded her by her own experience - she knows, somehow, that the little bird will calm down if scratched! It's a known fact that some animals, like the fruit fly and the rhinoceros, react quite favorably to a measure of scratching. Of course, with the rhino, you should use a rake.
"Que eu também coçava a minha." - [As I used to do to mine.]
There you are! That absolutely confirms it: she knew! And she knew because in her own youth she had experienced a similar problem and found a way to deal with it!
Lovely. Absolutely charming! Next week, I propose to go through another delightful piece of Portuguese poetry that caught my attention recently, which starts with "Lá em cima está o tiroliroliro". I feel sure that you, like myself, will fully enjoy this enticing little poem that talks about music, street corners and life's own ups and downs!
I have a vivid recollection of the scene, Mother and myself sitting face to face, she holding the tin with her left hand and a spoon with her right, me holding myself quite well, considering.
In between spoonfuls of the slushy red pulp (which Mother persuaded me to wash down with big gulps of lukewarm buttered milk drank off a large mug), she was telling me about the Portuguese, their conquests and discoveries, and how the sailors kept their remaining teeth immaculately clean by picking them with dried codfish fish-bones. I can still hear her lovely, kind voice ("-C'mon, dear. Eat it all, or else.").
Mother died in her sleep that same night (rumors that an oval piece of tin with ragged edges was found stuck deep in her throat are to be disregarded).
Anyway, my life was never the same again and my ever-growing interest in all things Portuguese led me to try and learn the local language. I am proud to say that my efforts paid off and I have already attained a fair level of proficiency understanding written text.
In my exploratory endeavours I came across a little poetic gem which I will attempt to translate so that you may fully appreciate the beauty of this fine example of Portuguese literary art:
Minha mãe, casai-me cedo,
Que me morde a passarinha.
Ó filha, coça-a com o dedo,
Que eu também coçava a minha.
Sounds beautiful and musical, doesn't it? But read on - the best is still to come.
Let's now analyse the poem verse by verse:
"Minha mãe, casai-me cedo," - [O mother, marry me soon]
Portuguese tradition makes it de rigeur that marriages be arranged by the parents, so here we have a girl respectfully asking her mother to marry her off soon. I find this acceptance of tradition by the Portuguese young quite endearing.
"Que me morde a passarinha."- [Because the little bird is biting me]
This is most intriguing: the girl is offering as the reason for her request the fact that a little bird is biting her! We know the bird is a little one, because of the use of the diminutive form - the suffix inha - and we also know it's a female, because the word ends with an a. But none of this helps understand how marrying soon could do anything about an aggressive bird!
Unless - but of course! - unless she is eager to get married so that her husband will protect her against the little bird!
"Ó filha, coça-a com o dedo," - [O daughter, scratch it with your finger]
Ah! The beauty of it! The mother is offering advice based, no doubt, on the wisdom afforded her by her own experience - she knows, somehow, that the little bird will calm down if scratched! It's a known fact that some animals, like the fruit fly and the rhinoceros, react quite favorably to a measure of scratching. Of course, with the rhino, you should use a rake.
"Que eu também coçava a minha." - [As I used to do to mine.]
There you are! That absolutely confirms it: she knew! And she knew because in her own youth she had experienced a similar problem and found a way to deal with it!
Lovely. Absolutely charming! Next week, I propose to go through another delightful piece of Portuguese poetry that caught my attention recently, which starts with "Lá em cima está o tiroliroliro". I feel sure that you, like myself, will fully enjoy this enticing little poem that talks about music, street corners and life's own ups and downs!
2007/10/11
Pensamentos (sub-título: subsídios para uma conferência)
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. Reza o ditado. (Notem a fina alusão aos nossos heróis do rugby... Subtil, sibilina!)
Pois não, veste Armani, veste Boss, veste Zenga.
Mas, divago...
Já aquele meu amigo estava sempre a divagar até que um dia foi ao médico e lhe disse: doutor... divago! Terei cura?
Bom, isto não está a correr nada bem. Para começar ainda não são horas de abrir a torneira dos disparates totalmente e depois eu acho que tenho de manter o tom sibilino desta conversa para que o leitor pense que eu tenho truques na manga... Na manga do fato Armani, claro! Não, hoje apetece-me Versace. Na manga do meu paletó Versace. Pois então. Ter coisas na manga de um fato Versace é muito mais fino do que ter só coisas numa manga de um fato sem marca.
Salada de frutas com manga Versace é também muito mais fino do que a vulgar papaia ou manga. E quem nos dera a todos sermos "mangas de alpaca", mas mangas de um fato de alpaca Versace!! Que distinção, que delicadeza. Certamente que o governo actual não evidenciaria esta sanha contra os "mangas de alpaca" se as mangas fossem de fato Versace!
Divago. Ainda é tão cedo e já divago. Divago com paixão, divago com alegria, divago sempre em Dó sustenido.
Vou continuar as minhas divagações mais tarde. Agora vou ter de ir abrir a porta ao fluxo intestinal...
Pois não, veste Armani, veste Boss, veste Zenga.
Mas, divago...
Já aquele meu amigo estava sempre a divagar até que um dia foi ao médico e lhe disse: doutor... divago! Terei cura?
Bom, isto não está a correr nada bem. Para começar ainda não são horas de abrir a torneira dos disparates totalmente e depois eu acho que tenho de manter o tom sibilino desta conversa para que o leitor pense que eu tenho truques na manga... Na manga do fato Armani, claro! Não, hoje apetece-me Versace. Na manga do meu paletó Versace. Pois então. Ter coisas na manga de um fato Versace é muito mais fino do que ter só coisas numa manga de um fato sem marca.
Salada de frutas com manga Versace é também muito mais fino do que a vulgar papaia ou manga. E quem nos dera a todos sermos "mangas de alpaca", mas mangas de um fato de alpaca Versace!! Que distinção, que delicadeza. Certamente que o governo actual não evidenciaria esta sanha contra os "mangas de alpaca" se as mangas fossem de fato Versace!
Divago. Ainda é tão cedo e já divago. Divago com paixão, divago com alegria, divago sempre em Dó sustenido.
Vou continuar as minhas divagações mais tarde. Agora vou ter de ir abrir a porta ao fluxo intestinal...
2007/08/13
Novidade
A novidade do dia chega-nos através da imprensa. O dr. Paulo Portas foi convidado pelo Clube dos Pensadores (assim mesmo!) para uma palestra. Eu confesso com toda a sinceridade que desconhecia a existência de um "Clube de Pensadores" em Portugal. Desconhecia até que havia pensadores. E surpreende-me que o dr. Paulo Portas tenha matéria para ir falar a um clube desta natureza.
Depois da palestra do dr. Portas o clube vai-se passar a chamar, sabemo-lo de fonte segura, Clube dos Pensadores Mortos.
Depois da palestra do dr. Portas o clube vai-se passar a chamar, sabemo-lo de fonte segura, Clube dos Pensadores Mortos.
Parado mas não desatento
Este blog está parado há meses. Ficámos sem gasolina e só agora chegou o moço de recados cá do Raia, que eu mandei à bomba com o meu pequeno Wehrmachtskanister, ou seja, com o jerrycan, ou seja, com uma garrafa de água do Luso vazia que por acaso tinha no porta bagagens do carro...
Tenho de admitir que este processo buscar de gasolina demorou um bocado. A demora tem, porém, uma explicação. Quando foi à bomba mais próxima, a gasolina, sem chumbo 95 que eu gasto no carro do Raia tinha aumentado 200 vezes. De cada vez que mandava o moço ir à bomba buscar gasolina, mais escassa era a gotita que ele trazia. Cada vez mais ridícula a quantidade do precioso líquido que transportava. Não dava sequer para colocar o carro em andamento. Eu dava-lhe mais dinheiro e ele lá voltava com mais uma gota, cada vez mais ridícula. Nem para o isqueiro! Tive de acabar por vender o carro para lhe poder dar mais dinheiro para comprar a "gasosa". Finalmente, tinha gasolina, mas hélas! já não tinha carro.
Enfim, isto tudo atrasou imenso a minha hora de chegada aqui à redacção do Raia.
Prometo que de agora em diante vou recomeçar a escrever neste espaço de eleição que é o Raia de Alhada. Aliás já nem saio daqui para que não possa vir a acontecer qualquer outro percalço...
Tenho de admitir que este processo buscar de gasolina demorou um bocado. A demora tem, porém, uma explicação. Quando foi à bomba mais próxima, a gasolina, sem chumbo 95 que eu gasto no carro do Raia tinha aumentado 200 vezes. De cada vez que mandava o moço ir à bomba buscar gasolina, mais escassa era a gotita que ele trazia. Cada vez mais ridícula a quantidade do precioso líquido que transportava. Não dava sequer para colocar o carro em andamento. Eu dava-lhe mais dinheiro e ele lá voltava com mais uma gota, cada vez mais ridícula. Nem para o isqueiro! Tive de acabar por vender o carro para lhe poder dar mais dinheiro para comprar a "gasosa". Finalmente, tinha gasolina, mas hélas! já não tinha carro.
Enfim, isto tudo atrasou imenso a minha hora de chegada aqui à redacção do Raia.
Prometo que de agora em diante vou recomeçar a escrever neste espaço de eleição que é o Raia de Alhada. Aliás já nem saio daqui para que não possa vir a acontecer qualquer outro percalço...
2007/04/26
As Fábulas de La Gardère - O urso panda e a chaputa
Estava um urso panda a nadar no charco em pleno deserto do Arizona. A água era escaça, o tempo ameaçava tornar-se ainda mais quente e assim secar a pouca água que restava no charco. O urso desesperava. E nadava! Os sapatos apertavam-lhe os pés, os colarinhos apertavam-lhe o pescoço, um nó apertava-lhe a garganta. Tudo o apertava. Porque andaria ele a nadar, feliz, aparentemente alheio a todos aqueles apertos, indiferente à canícula, porém, atento à onda de calor? Seria efeito da Verdade Incoveniente?
Nisto aparece uma chaputa. A chaputa trazia uma intimação do tribunal arbitral que convocava o urso panda para um julgamento que decorria, à porta fechada, a propósito de um processo de partilha da banda larga.
O urso desconfiou.
Seria a chaputa uma legítima representante do tribunal? Seria a intimação um documento autêntico, selado e assinado pelo juiz? O que estaria uma chaputa a fazer naquele charco, àquela hora, com uma intimação de um tribunal? "Temos de convir," pensou o urso, "que tudo isto é estranho... Isto é uma intimação ou uma intimidação?"
Continuou a nadar por mais algum tempo, fingindo não ver a chaputa. Mas ela insitia! "Ó sr. urso panda! Ó sr. urso panda! tenho uma intimaçãozinha para si! Necessito da sua assintura aqui no protocolo."
O urso começava a estar farto da chaputa.
Deu mais algumas braçadas (desta feita em crawl e com muito estilo) e resolveu sair da água. Enxugou-se cuidadosamente. Foi nessa altura que verificou que a chaputa se tinha sentado ao seu lado, numa cadeira de praia, bebericando um piña colada e assobiando uma canção de verão.
O urso estava impressionado. Mas, o que lhe causava ainda mais fascínio era o facto da chaputa estar ali, fora de água, respirando oxigénio de uma botijas de água oxigenada, deixadas por um pescador submarino desleixado.
O urso, deslumbrado coma aquela cena, voltou a mergulhar, dirigiu-se ao mar e ainda hoje navega em águas turvas.
Moral da história (sim, porque esta tem moral!): a urso não se lhe dá nadar em água de charco. A chaputa que o diga!
Quantos de nós poderemos dizer isso mesmo?
Nisto aparece uma chaputa. A chaputa trazia uma intimação do tribunal arbitral que convocava o urso panda para um julgamento que decorria, à porta fechada, a propósito de um processo de partilha da banda larga.
O urso desconfiou.
Seria a chaputa uma legítima representante do tribunal? Seria a intimação um documento autêntico, selado e assinado pelo juiz? O que estaria uma chaputa a fazer naquele charco, àquela hora, com uma intimação de um tribunal? "Temos de convir," pensou o urso, "que tudo isto é estranho... Isto é uma intimação ou uma intimidação?"
Continuou a nadar por mais algum tempo, fingindo não ver a chaputa. Mas ela insitia! "Ó sr. urso panda! Ó sr. urso panda! tenho uma intimaçãozinha para si! Necessito da sua assintura aqui no protocolo."
O urso começava a estar farto da chaputa.
Deu mais algumas braçadas (desta feita em crawl e com muito estilo) e resolveu sair da água. Enxugou-se cuidadosamente. Foi nessa altura que verificou que a chaputa se tinha sentado ao seu lado, numa cadeira de praia, bebericando um piña colada e assobiando uma canção de verão.
O urso estava impressionado. Mas, o que lhe causava ainda mais fascínio era o facto da chaputa estar ali, fora de água, respirando oxigénio de uma botijas de água oxigenada, deixadas por um pescador submarino desleixado.
O urso, deslumbrado coma aquela cena, voltou a mergulhar, dirigiu-se ao mar e ainda hoje navega em águas turvas.
Moral da história (sim, porque esta tem moral!): a urso não se lhe dá nadar em água de charco. A chaputa que o diga!
Quantos de nós poderemos dizer isso mesmo?
2007/04/22
Jovens exigem de novo o limbo
Em reuniões com jovens apanhados no limbo --os serviços de uma conhecida medium portuguesa foram usados para o efeito-- por esta medida, que arriscam, assim, não poder completar o seu período normal de estadia no limbo e terão de ir iniciar o semestre numa nova instituição, foi acertado unir esforços para apresentar, numa primeira fase, um veemente protesto a que se seguirão outras medidas, não estando excluída a hipótese de uma greve geral.
O mesmo porta voz citado anteriormente (ligado à Juventude Limbista da Sagração) declarou à agência Lusa que os jovens "se sentem profundamente descriminados com esta medida arbitrária, que só reflete o pensamento totalitário do Vaticano e dos seus lacaios."
Os alunos da Universidade Independente já se declararam solidários coma luta dos jovens limbórios.
2007/02/02
Dar voz aos que sofrem
O RdA é um blog de causas. Hoje, um dia após a jornada mundial de alerta pelos perigos das alterações climáticas, publicamos uma foto tirada durante esta jornada de luta em pleno oceano. Na foto pode-se observar o coro de protesto que se fez ouvir exuberantemente contra as alterações de temperatura e pelo fim do aquecimento global.
O RdA sempre ao lado das grandes causas.
2007/01/25
Mulher de dois uteros que pariu dragões de Komodo afinal era homem...
Aqui há tempos, falámos no espaço do RdA de um caso insólito: uma mulher com dois úteros tinha dado à luz oito pequenos dragões de Komodo. Afinal, o caso é ainda mais insólito do que se suspeitava. A mulher era homem! Também.
Para além de dois úteros, a mulher possuia dois orgãos genitais masculinos. E os dragões afinal também são hermafroditas.
Os cientistas estão perplexos. A mulher está perplexa. A comunidade internacional de dragões de Komodo está perplexa.
Perante tanta perplexidade o RdA decidiu investigar.
Chegámos à conclusão que afinal os dragões não são de Komodo. É falso! São das Antas. São super-dragões! Têm orgão genital masculino e feminino. São hermafroditas! Aliás, terá sido essa a razão que levou Carolina Salgado a optar por revelar toda aquela embrulhada com o dragão-mor. Eles são hermafroditas e Carolina gosta das coisas mais preto-no-branco. Nada de ambiguidades.
Pelo que o RdA conseguiu também apurar, a PJ investiga neste momento as ligações perigosas entre os dragões hermafroditas uns com os outros, porque parece que é aí que bate o ponto. As últimas escutas telefónicas revelam conteúdos de autêntica linha erótica.
"Aonde vamos nós parar, se já nem no sexo dos dragões podemos confiar?" terá perguntado indignada Carolina. "No sexo dos Anjos?"
Para além de dois úteros, a mulher possuia dois orgãos genitais masculinos. E os dragões afinal também são hermafroditas.
Os cientistas estão perplexos. A mulher está perplexa. A comunidade internacional de dragões de Komodo está perplexa.
Perante tanta perplexidade o RdA decidiu investigar.
Chegámos à conclusão que afinal os dragões não são de Komodo. É falso! São das Antas. São super-dragões! Têm orgão genital masculino e feminino. São hermafroditas! Aliás, terá sido essa a razão que levou Carolina Salgado a optar por revelar toda aquela embrulhada com o dragão-mor. Eles são hermafroditas e Carolina gosta das coisas mais preto-no-branco. Nada de ambiguidades.
Pelo que o RdA conseguiu também apurar, a PJ investiga neste momento as ligações perigosas entre os dragões hermafroditas uns com os outros, porque parece que é aí que bate o ponto. As últimas escutas telefónicas revelam conteúdos de autêntica linha erótica.
"Aonde vamos nós parar, se já nem no sexo dos dragões podemos confiar?" terá perguntado indignada Carolina. "No sexo dos Anjos?"
2007/01/16
Novo inédito do RdA
O RdA apresenta a todos os seus fiéis leitores um novo e rigoroso exclusivo. Descobrimos a adega onde é feito o famoso Vinho da Casa.
O Vinho da Casa é um produto da vinha do senhor Camões, ali para os lados da Marinha Grande. Fomos visitá-lo.
Ficámos um pouco chocados, confessamo-lo sem hesitação, por o senhor Camões nos ter recebido, não com uma prova de uma selecção dos seus melhores vinhos, como seria normal, mas sim com uma selecção de refrigerantes e águas. Dizia ele que beber, nem pensar. Faz mal.
Em todo o caso, o senhor Camões falou-nos das origens da vinha da Casa com manifesto entusiasmo e deu-nos a provar o preciso líquido. Que dizer do Vinho da Casa? É um vinho suave, de degustação agradável, com uma queda palatal a incidir, sobretudo, na superfície dorsal da língua, dizem alguns. Ninguém sabe o que isto quer dizer. Aromas fortes a serradura e doce de abóbora.
Dizia-nos o senhor Camões excitadíssimo que a denominação "da Casa" tinha origem no famoso explorador Bartolomeu de la Casa que teria passado por aqui em 1485 à procura de lenha para se queimar. Ficou enamorado pela região e decidiu fixar-se. Montou um negociozito de marisco congelado (na época era mesmo uma inovação!) e lá foi conseguindo singrar. A mulher ajudava-o e os filhos --mais de dezassete-- pelavam-se por trabalhar com o pai. Mas o bichinho da exploração (afinal ele era um explorador!) atormentava-o. Decidiu por isso dedicar-se mais à exploração.
Abandonou o negócio dos congelados e começou a produzir uma bebida feita à base de aparas de madeira provenientes da manutenção do pinhal de Leiria. Nessa altura havia manutenção da floresta. A ideia era fermentar as aparas e produzir assim uma bebida que começou a ganhar notoriedade entre os círculos mais excêntricos da sociedade da Marinha Grande.
Mandou fazer umas garrafas (afinal estava na zona onde elas eram produzidas) e começou a engarrafar o delicioso néctar e a vende-lo, primeiro, nas tascas locais e depois em lojas seleccionadas. Os preços a que o precioso líquido passou a ser vendido tornaram-se proibitivos, mas de la Casa com o afiado sentido de negócio que possuia, decidiu criar um corpo especial de jagunços que obrigavam os locais a consumir o "Vinho do Casa", como era conhecido na altura, sob pena de serem espancados sem piedade. Era uma verdadeira exploração, mas de la Casa era um explorador e por isso havia que fazer jus à sua aura.
É esta, pois, segundo o senhor Camões, a origem deste frutuoso negócio que hoje está um bocado abastardado, é certo (*), mas que mantém em larga medida o seu élan original.
(*) O momento certo em que a bebida passou a designar-se Vinho da Casa (primitivamente era o Vinho do Casa, como referi) não é conhecido com precisão. Terá sido algum cliente certamente, depois de espancado e completamente ébrio que trocou a designação primitiva. De la Casa, diz-se, terá gostado da expressão e adoptou-a como sua marca registada.
O Vinho da Casa é um produto da vinha do senhor Camões, ali para os lados da Marinha Grande. Fomos visitá-lo.
Ficámos um pouco chocados, confessamo-lo sem hesitação, por o senhor Camões nos ter recebido, não com uma prova de uma selecção dos seus melhores vinhos, como seria normal, mas sim com uma selecção de refrigerantes e águas. Dizia ele que beber, nem pensar. Faz mal.
Em todo o caso, o senhor Camões falou-nos das origens da vinha da Casa com manifesto entusiasmo e deu-nos a provar o preciso líquido. Que dizer do Vinho da Casa? É um vinho suave, de degustação agradável, com uma queda palatal a incidir, sobretudo, na superfície dorsal da língua, dizem alguns. Ninguém sabe o que isto quer dizer. Aromas fortes a serradura e doce de abóbora.
Dizia-nos o senhor Camões excitadíssimo que a denominação "da Casa" tinha origem no famoso explorador Bartolomeu de la Casa que teria passado por aqui em 1485 à procura de lenha para se queimar. Ficou enamorado pela região e decidiu fixar-se. Montou um negociozito de marisco congelado (na época era mesmo uma inovação!) e lá foi conseguindo singrar. A mulher ajudava-o e os filhos --mais de dezassete-- pelavam-se por trabalhar com o pai. Mas o bichinho da exploração (afinal ele era um explorador!) atormentava-o. Decidiu por isso dedicar-se mais à exploração.
Abandonou o negócio dos congelados e começou a produzir uma bebida feita à base de aparas de madeira provenientes da manutenção do pinhal de Leiria. Nessa altura havia manutenção da floresta. A ideia era fermentar as aparas e produzir assim uma bebida que começou a ganhar notoriedade entre os círculos mais excêntricos da sociedade da Marinha Grande.
Mandou fazer umas garrafas (afinal estava na zona onde elas eram produzidas) e começou a engarrafar o delicioso néctar e a vende-lo, primeiro, nas tascas locais e depois em lojas seleccionadas. Os preços a que o precioso líquido passou a ser vendido tornaram-se proibitivos, mas de la Casa com o afiado sentido de negócio que possuia, decidiu criar um corpo especial de jagunços que obrigavam os locais a consumir o "Vinho do Casa", como era conhecido na altura, sob pena de serem espancados sem piedade. Era uma verdadeira exploração, mas de la Casa era um explorador e por isso havia que fazer jus à sua aura.
É esta, pois, segundo o senhor Camões, a origem deste frutuoso negócio que hoje está um bocado abastardado, é certo (*), mas que mantém em larga medida o seu élan original.
(*) O momento certo em que a bebida passou a designar-se Vinho da Casa (primitivamente era o Vinho do Casa, como referi) não é conhecido com precisão. Terá sido algum cliente certamente, depois de espancado e completamente ébrio que trocou a designação primitiva. De la Casa, diz-se, terá gostado da expressão e adoptou-a como sua marca registada.
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